A Gota
É quase impossível relembrar os tempos da universidade sem que venha junto à memória as noites de chuva que nos isolavam no ambiente acadêmico. O prédio era razoavelmente afastado da cidade, além do que, naquele tempo dos humilhados esperançosos por exaltação, não havia ônibus e poucos alunos tinham uma condução decente para que pudessem chegar em casa sem tomar uma boa ducha de água de nuvem. O jeito era esperar o mal tempo passar. Decidi sentar na varanda, sentindo os respingos trazidos pelo vento da tempestade. Coloquei a mochila sobre as pernas enquanto dirigia minha atenção para uma pequena gotícula de água que repousava sobre as folhas de uma orquídea violeta. Segura em um vaso, havia acumulado aquele pequeno líquido durante um momento onde a fúria da tormenta ultrapassara o convencional. Ainda era possível ouvir os trovões de raiva, mas agora estava um pouco mais calma. Sob a superfície vegetal, o líquido forma uma espécie de...